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“Faz escuro mas eu canto, liberdade em todo o canto!”
Ação da luta antimanicomial acontece na Faculdade São Francisco de Assis.

“Faz escuro mas eu canto, liberdade em todo o canto!”

Ação da luta antimanicomial acontece na faculdade São Francisco de Assis

 

Os corredores da Faculdade São Francisco de Assis foram palco para uma ação dos alunos de psicologia da instituição. Em decorrência do dia Dia Nacional da Luta Antimanicomial, por uma sociedade sem manicômios, os estudantes realizaram uma encenação como explicação da causa, no dia 18 de maio. O Movimento da Luta Antimanicomial se caracteriza pela luta dos direitos das pessoas com sofrimento mental, para que elas tenham liberdade, direito de viver em sociedade, além de receber cuidado e tratamento sem deixar de lado o seu lugar como cidadão.

 

Em 18 de maio de 1987 aconteceu o encontro dos trabalhadores da Saúde Mental, e esta data é comemorada até então como alusão ao movimento antimanicomial. O encontro ocorreu em São Paulo e reuniu mais de 300 pessoas da área da saúde mental. Além disso, o movimento está interligado à Reforma Sanitária Brasileira da qual resultou a criação do Sistema Único de Saúde (SUS). Nesse contexto, existe um combate à idéia de que se deve isolar quem sofre esse tipo de transtorno mental, por meio disso, gritos de guerra, juntos com muito barulho foram  utilizados para chamar atenção dos presentes na faculdade.

 

Caroline Schneider Brasil, professora do curso de psicologia, conta que a ação foi idealizada por iniciativa dos alunos, que tiveram a oportunidade de pensar em um dispositivo artístico, político, ético e estético para promover a conscientização. Entro fator que influenciou para que ela entrasse no projeto com seus alunos, seria ampliar o comprometimento das pessoas que estão em formação, o que é fundamental para que os estudantes se transformem em profissionais comprometidos. Ela ainda conclui com o que sentiu no momento da ação, pois desde o início de sua formação esteve envolvida com o movimento: “É uma emoção muito grande quando o corpo está envolvido. Fala de uma entrega, de uma integralidade, de vivência, experiência… Poder cada vez mais ampliar o número de parceiros é muito emocionante, sempre me senti convocada a poder contribuir por uma sociedade mais inclusiva, menos preconceituosa, mais libertária.”

 

Cada ano, a o movimento tem uma nova frase, em 2017 os alunos optaram por adaptar esse grito de guerra: “Faz escuro mas eu canto, liberdade em todo o canto. E o pulso, ainda pulsa”. Em uma caminhada em direção ao Espaço de Eventos que resultou em uma encenação e apresentação de um vídeo sobre o assunto, os alunos tiveram a oportunidade de entender a causa, além de observar a realidade que os envolvidos passam, diariamente. Junto ao grito de guerra, foi apresentada a cena que mostrava alguém em uma camisa de forças e alguns médicos em seu redor. A partir da leitura do poema metade, de Oswaldo Montenegro, os alunos retiravam seus jalecos como forma de protesto e quem representava o paciente tinha colados em si adesivos como se fossem “rótulos”, que também eram retirados. Por fim, a liberdade se sobressaiu às demais cenas e a camisa de força foi retirada, mostrando que todas as pessoas da sociedade são iguais.

 

Waleska Augusta da Rosa Pedruzzi, trabalha em uma clínica psiquiátrica e é estudante de psicologia da instituição. Ela diz que o movimento foi feito para entender que prender não é uma forma de tratamento: “Eu trabalho com os ditos loucos, com aqueles que são mal vistos pela sociedade, então é muito gratificante poder contar um pouco disso e trazer da minha rotina. Poder desmistificar e humanizar a loucura... A estudante ainda conclui que dentro da palavra loucura existe a palavra “cura” e que  “nem todos os profissionais estão dispostos e sensíveis a olhar o ser humano atrás da loucura,  olhar a pessoa que tem atrás de um diagnóstico”. 

 

Reportagem: Rafaela Feck.

Fotos: Alexia Coelho, Lucas Garske, Vinny Vanoni e Yuri Veleda.




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